Quem já precisou atrasar a fatura do cartão ou entrar no cheque especial sabe bem como pesa arcar com os juros desse tipo de financiamento. Num cenário em que a proporção da renda das famílias brasileiras comprometida com dívidas saltou de 18,3%, em 2005, para 46%, neste ano, segundo o Banco Central, o crédito consignado, com juros baixos e depósito instantâneo do dinheiro na conta, tem caído nas graças do consumidor.

Um levantamento recente do portal Meu Bolso Feliz, site mantido pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), mostrou que três em cada dez brasileiros já fizeram essa modalidade de empréstimo. O problema é que o que parece uma alternativa fácil e vantajosa de financiamento tem se tornado um pesadelo para muitos trabalhadores.

Embora a lei determine que o desconto máximo do crédito consignado seja de 30% do salário mensal, não são raros os casos de parcelas maiores ou de acúmulo de dois ou mais empréstimos do gênero. O resultado é que muitos profissionais podem passar meses recebendo quantias ínfimas ou até sem renda, já que a prestação é descontada direto na folha.

A consequência é que, nessa situação, torna-se impossível arcar com despesas básicas, como aluguel, condomínio, telefone e escola dos filhos, comprometendo seriamente a produtividade no trabalho. “A preocupação com o dinheiro pode causar problemas psicológicos como estresse, depressão e uma série de doenças psicossomáticas, levando o funcionário até ao afastamento”, afirma a psicóloga Marina Rangel, coordenadora do Núcleo de Formação Profissional da Fundação Getulio Vargas, em Belo Horizonte.

Origem do problema

Na origem do superendividamento pelo crédito consignado está a falta de planejamento de muitos trabalhadores, que subestimam o peso das prestações, que podem reduzir a renda mensal drasticamente. Para o consultor financeiro Mauro Calil, de São Paulo, só se deve lançar mão dessa opção de crédito para trocar os juros altos de uma dívida por outros mais baixos. “Fora isso, não vale a pena”, diz Mauro.

Foi o que fez o técnico em mecânica José Francisco da Silva, de 41 anos, que se endividou ao acumular dois empréstimos: o financiamento do carro e um consignado. Funcionário da Johnson & Johnson em São José dos Campos, onde atua como preparador de materiais, José Francisco procurou a cooperativa da companhia para tirar um empréstimo a juros mais baixos e quitar os anteriores.

“A taxa de juro de 1% ao mês foi o que mais me atraiu. Antes, só do carro eu pagava 540 reais mensais. Agora, com tudo quitado, meu desconto total ficou em 532 mensais.” A estratégia planejada tirou a família do sufoco. Se você anda pensando em recorrer ao crédito consignado, vale a pena levar em conta essas orientações para que ele o ajude a sanear sua vida financeira, em vez de desorganizá-la.

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